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3 de agosto de 2016

Regina Bertola, Ponto de Partida e “Grande Sertão: Veredas”: detalhes de uma convivência íntima

Regina Bertola, fundadora e diretora do grupo Ponto de Partida e também fundadora e conselheira da Bituca: Universidade de Música Popular, em Barbacena, é uma das atrações de peso da 3ª Festa Literária de Rio Novo. A aclamada dramaturga conversa com o público sobre sua convivência íntima com “Grande: Sertão Veredas”, sendo a única diretora de teatro e dramaturga brasileira que adaptou e levou aos palcos a obra integralmente. O encontro é no sábado, às 13h30 no Centro Cultural Professora Maria Pinto.

À frente do grupo mineiro de 36 anos de trajetória e dos Meninos de Araçuaí, coro de crianças do Vale do Jequitinhonha há 18 anos, Regina já levou aos palcos obras de Drummond, Manoel de Barros, Adélia Prado, Bartolomeu Campos Queirós, Jorge Amado, Milton Nascimento e Chico Buarque. De Guimarães Rosa, encenou a “Terceira Margem do Rio” e “Grande: Sertão Veredas”.

Também estão ligados à sua direção sucessos como “Beco – a ópera do lixo”, “Viva o Povo Brasileiro”, “Pra Nhá Terra”, “Presente de Vô”, “Travessia”, e outros.

CRÍTICA DO ESPETÁCULO GRANDE SERTÃO

“Não concerne. Regina Bertola, artífice da adaptação e da montagem, matriarca do brioso e pertinaz grupo teatral mineiro, obstinou-se por alguém de fora, maturado e de molde adequado ao capiau contador de causos, de memória caldulosa como a de um rio baldo de ouvinte. E Nelson Calhou. Perfeito. Mais que perfeito.

Memória do demo. Tudo, tudo na cachola. Tudo que Bertola aproveitou das 460 páginas do Rosa. E do máximo ela tirou proveito: a essência e também os acessórios de necessidade. Prosa comprida, abundante, vivente, fragmentada. E que só agora, adrede modulada por quem sabe o jeito jeca, caipira, matuto de falar, compreendi e saboreei em sua inteireza. Verdade se diga: as bizarrias de “Grande Sertão: Veredas” não brotaram para os olhos, mas para os ouvidos. Da oralidade veio, à oralidade acaba de voltar. Os puristas tolerem, isto sim é respeito ao original – ou às raízes.”

Crítica de Sergio Augusto sobre o espetáculo Grande Sertão Veredas, para Folha de São Paulo, 12 de janeiro, 1994.

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