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Mecenas contemporâneo

Neto de Niemeyer investe na educação, através do incentivo à leitura infanto-juvenil e faz uma espécie de revolução literária no interior de Minas, com desdobramentos além-fronteiras.

Rodeado desde a infância por livros e obras de arte, Carlos Oscar Niemeyer Magalhães da Silveira é resultado de uma vivência completamente impregnada pela cultura. Formado em administração, apesar de recorrer aos números, é íntimo das palavras. Se construiu diante da potência dos conhecimentos.

Se o avô foi responsável por transformar a paisagem urbana do país, o neto, busca a transformação da sociedade pela educação. Carlos Oscar luta em prol da cultura e da leitura em locais onde, muitas vezes, elas não chegariam sozinhas.

O ponto de partida para o início dos trabalhos foi em 2007, quando, para homenagear o mestre Niemeyer, teve a ideia de organizar uma cavalgada partindo de Goianá, a 40 km de Juiz de Fora, até Barretos, SP. Naquela época, o maior arquiteto brasileiro ficou surpreso com a homenagem do neto e sugeriu-lhe que distribuísse livros durante a viagem. “O resultado dessa ideia do meu avô foi emocionante. Em 18 dias passamos por 25 bibliotecas públicas e escolas de 18 cidades. As crianças pesquisaram sobre ele e participaram ativamente do projeto. Depois disso, percebi que eu queria cavalgar mais”, conta.

A cavalgada de 2007 fez com que o empresário fundasse, no ano seguinte, a Associação Cavaleiros da Cultura, que, hoje, com cinco expedições no currículo contabilizando mais de 4.000 quilômetros percorridos entre os estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, atende ainda na Casa de Leitura cerca de 200 pessoas por mês, entre adultos e crianças. A Associação, que comemora o grande número de livros doados (mais de 600 mil exemplares), se prepara agora, para uma segunda Festa Literária.

No país, segundo dados do Ministério da Educação divulgados neste mês de julho, o índice de leitura é alarmante: apenas 1,7 livros per capita. Diante disto, iniciativas como esta de Carlos, certamente fazem brotar a esperança para mudanças na sociedade.

Festa de interior, sim senhor

Com pouco mais de 8 mil habitantes e quase 300 anos de história, Rio Novo, localizada a cerca de 50 quilômetros de Juiz de Fora e a 300 quilômetros da capital mineira, Belo Horizonte, é a típica cidade de interior. Alegre e festeira, com rica tradição cultural que, como tantas outras, precisa e merece ser valorizada. Sua arquitetura se destaca entre as cidades da região.

Os turistas que a visitam podem desfrutar de cachoeiras, trilhas para cavalgadas, feiras de artesanato, fazendas com produção de cachaça artesanal, hotéis fazendas, pesqueiros, e, agora, contam com mais um evento no calendário: a Festa Literária promovida pelos Cavaleiros da Cultura, que inspirada na Flip, pretende fazer de Rio Novo a “Paraty mineira”.

A cidade ainda se destaca pela tradição cultural e literária. Desde o final do século XIX importantes nomes como, Dr. Basílio Furtado, já tinham despontado, sobretudo, nas publicações científicas. No início do século XX os escritores Olympio Araújo e Carmo Gama lideraram um movimento e fundaram a Fundação da Academia Mineira de Letras.

Durante o último século importantes nomes deixaram grandes contribuições à literatura mineira e brasileira. Paulino de Oliveira, que dedicou se à história de Juiz de Fora, também era rionovense. Outro memorialista importante foi Quincas Fernandes que deixou riquíssimos manuscritos publicados sobre o título “Memórias de Rio Novo”, lançado ano passado, pelo Instituto Cultural Amílcar Martins – ICAM, durante a Primeira Festa Literária de Rio Novo. Outro nome, a poetisa Eugênia Maria Rodrigues deixou grande acervo ao longo de sua carreira e era uma grande incentivadora da literatura e da poesia. Eugênia promoveu durante décadas encontros nacionais de trovadores.

Carlos Oscar se orgulha do resultado da primeira edição. “A cidade estava vivendo uma violência grande, com gente sendo assaltada na rua. Ao fim da festa, o sargento da Polícia Militar me agradeceu dizendo que nos quatro dias do evento não houve ocorrência. Essa é a forma que encontrei de dar às crianças uma oportunidade de ter um futuro melhor”, reflete.

Na edição deste ano, com data marcada de 13 a 16 de agosto, dando sequência ao projeto que em 2014 movimentou e atraiu enorme público à província, a entidade espera repetir o feito com uma programação recheada de oficinas, palestras, encontros com autores, espetáculos ao ar livre, shows, exposições e muito mais.

Ziraldo além de patrono, já marcou presença. O tema a ser debatido são as Múltiplas Leituras, fazendo referência às diversas maneiras de se contar uma história, por meio não só das palavras, mas também através de obras de arte, ilustrações e fotografias. Além disso, o tema, ao mesmo tempo, reverencia a multiplicidade das obras de Ziraldo e sua atemporalidade.

Agora, mais uma jornada se desenha para os Cavaleiros, o público aguarda e os artistas estão a postos para usar todas as formas de cultura e leitura em uma belíssima troca de experiências e ideias.

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