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2 de agosto de 2017

“Literatura da Ditadura” é tema de mesa com Daniela Arbex, Ancelmo Gois, Cristina Chacel e Marília Guimarães

Tendo o livro um importante papel entre as artes de resistência no período da ditadura, a literatura sobre este tema também terá espaço na FliMinas – Edição Drummond. Daniela Arbex (Cova 312), Cristina Chacel (Seu Amigo Esteve Aqui) e Marília Guimarães (Habitando o Tempo) vão compor uma mesa de debates (19/08 – 15h, Centro Cultural Profª. Maria Pinto) sobre o assunto e lançarão olhares baseados em suas respectivas obras.  O bate-papo contará com a mediação do jornalista e colunista de O Globo, Ancelmo Gois.

Relatos e memórias estão registrados nos livros que mostram a saga daqueles que sofreram na própria pele o lado mais obscuro dos anos de chumbo, quando os desmandos acontecidos nos porões dos quartéis eram lei no país.

Sobre as obras:

Cova 312 (Geração Editorial) – Após o lançamento de seu surpreendente best-seller de estreia, “Holocausto  brasileiro”, Daniela Arbex volta com mais um livro corajoso e revelador. Escrito como um romance, nele se conta a história real de como as Forças Armadas mataram pela tortura um jovem militante político, forjaram seu suicídio e sumiram com seu corpo. Daniela Arbex reconstitui o calvário deste jovem, de seus companheiros e de sua família até sua morte e desaparecimento. E continua investigando até descobrir seu corpo, na anônima Cova 312 que dá título ao livro. No final, uma revelação bombástica muda um capítulo da história do Brasil. Uma história apaixonante, cheia de mistério, poesia, tragédia e sofrimento.

Seu Amigo Esteve Aqui (Zahar) – Em clima de suspense, narra uma contundente história verídica passada no período da ditadura militar no Brasil. A partir de pesquisas e depoimentos de familiares, amigos e antigos companheiros de militância, a autora revela o incrível personagem que foi o mineiro Carlos Alberto Soares de Freitas, o dirigente Breno da organização clandestina de esquerda VAR-Palmares. Conhecido como Beto, pela força de sua liderança atraía para a resistência política inúmeros jovens, entre eles a então secundarista de dezesseis anos Dilma Rousseff, atual presidente da República e uma das personagens dessa trama.

Beto foi um dos três militantes citados e homenageados por Dilma em seu primeiro discurso como candidata à Presidência. Em fevereiro de 1981, uma década após seu desaparecimento, descobre-se que Beto, como outros perseguidos por seus ideais, havia sido assassinado em uma casa em Petrópolis (RJ), conhecida como a Casa da Morte, onde presos políticos eram mantidos em cárcere privado, sendo barbaramente torturados e quase sempre mortos.

Enriquecido com cerca de 50 imagens, Seu amigo esteve aqui é um livro pujante que mostra que, apesar da dramática conturbação política que tomou conta do país na década de 1960 e começo da década de 70, com toda a sua carga de arbitrariedade e truculência, havia espaço para rasgos de solidariedade, utopias e momentos de pura diversão. Um livro eletrizante que contribui para desvelar uma parte da história brasileira que só há pouco começou a ser recuperada, e cuja escrita ganha novo impulso com a recente instauração da Comissão Nacional da Verdade, por iniciativa do governo.

Habitando o Tempo (Liberars) – Habitando o Tempo é um livro atual. Resgata conceitos de fé revolucionária, aparentemente, adormecidos e deturpados, mas que caem como uma luva para os desafios que o povo brasileiro enfrenta, hoje.

Os dez anos de exílio em Cuba se mesclam entre as dores das perdas dos companheiros assassinados, torturados e desaparecidos, da saudade da pátria amada e a construção e a consolidação de uma nova sociedade, que logrou romper com o status quo e escrever sua própria.

Entre ternura, parcas alegrias, realizações possíveis, habita um tempo obscuro e claro, prenhes de vendavais e momentos mágicos de esperança.

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