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30 de julho de 2018

Biografia de Fernando Sabino

Não é novidade que o homenageado da 5ª FliMinas – Festa Literária de Minas Gerais (5 a 9 de setembro) será Fernando Sabino, um dos mais importantes cronistas brasileiros. Mas, você conhece trajetória do autor? Então vamos a um pouco de história…

Fernando Tavares Sabino nasceu em Belo Horizonte, no dia 12 de outubro de 1923. Aos 13 anos, começou a escrever contos. Sua primeira publicação, uma história policial, aconteceu na revista Argus, uma publicação da polícia de MG. Durante a adolescência, enviava com regularidade crônicas para a revista mineira, que promovia um concurso permanente, o qual Sabino vencia com frequência.

Esportista, nadador do Minas Tênis Clube, bateu diversos recordes de nado de costas, sua especialidade, tornando-se campeão sul-americano dessa modalidade em 1939. No mesmo ano, ganhou o segundo lugar na Maratona Nacional de Português e Gramática Histórica, empatado com Hélio Pellegrino.

No início da década de 1940 começou a cursar a Faculdade de Direito em Minas Gerais e ingressou no jornalismo como redator da Folha de Minas, por intermédio do escritor Murilo Rubião. O primeiro livro de contos, ‘Os grilos não cantam mais’, foi publicado em 1941, no Rio de Janeiro, quando o autor tinha apenas dezoito anos, sendo que alguns contos do livro foram escritos quando Sabino tinha apenas quatorze anos. Nesse período, conheceu e passou a conviver com Marques Rebêlo, Guilhermino César e João Etienne Filho. Formava, com Hélio Pellegrino, Otto Lara Resende e Paulo Mendes Campos, um grupo literário, apelidado por Etienne, de Grupo dos Vintanistas devido ao fato de todos estarem na casa dos vinte anos. Esse grupo discutia literatura e fazia passeios boêmios pelas noites de Belo Horizonte. Suas histórias serviram de inspiração para a premiada obra ‘O Encontro Marcado’. Nesse período, Sabino publica contos e artigos pelas revistas Mensagem, Alterosa e Belo Horizonte.

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Por ocasião da publicação de ‘Os grilos não cantam mais’, Sabino inicia, em 1942, correspondência com o escritor paulista Mário de Andrade. A troca de cartas dura até 1945, ano da morte de Mário, e pode ser lida no livro ‘Cartas a um jovem escritor e suas respostas’.

Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1944. Tornou-se colaborador regular do jornal Correio da Manhã, onde conheceu Vinicius de Moraes, de quem se tornou amigo. No mesmo ano, publicou sua segunda obra, a novela ‘A marca’. Em 1945, conheceu a escritora Clarice Lispector, no Rio, de quem tornou-se amigo e mais tarde, correspondente. Depois de se formar em Direito na Faculdade Nacional de Direito, em 1946, viajou com Vinicius de Moraes aos Estados Unidos. O escritor morou por dois anos em Nova Iorque, onde exercia função burocrática no consulado brasileiro, com sua primeira esposa Helena Valladares Sabino e a primogênita Eliana Sabino. Nesse período, conheceu o compositor Jayme Ovalle. Colaborou com crônicas para o Diário Carioca e O Jornal. As crônicas reunidas do período foram publicadas na obra ‘A cidade vazia’ (1950). No mesmo período, Sabino escreve ‘Os movimentos simulados’ (2004) e esboços das obras ‘O encontro marcado’ (1956) e ‘O grande mentecapto’ (1979).

‘O encontro marcado’, uma de suas obras mais conhecidas, foi lançada em 1956. Sabino decidiu, então (1957), viver exclusivamente como escritor e jornalista. Iniciou uma produção diária de crônicas para o Jornal do Brasil, escrevendo mensalmente também para a revista Senhor. Em 1960, Fernando Sabino publicou o livro ‘O homem nu’, pela Editora do Autor, fundada por ele, Rubem Braga e Walter Acosta. Publicou, em 1962, ‘A mulher do vizinho’, que recebeu o Prêmio Fernando Chinaglia, do Pen Club do Brasil. Em 1964, muda-se para Londres, onde passa a exercer função da adido cultural junto à embaixada brasileira. Torna-se correspondente do Jornal do Brasil. Colabora na BBC e com as revistas Manchete e Claudia.

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Funda, em 1960, a Editora do Autor, em parceria com Rubem Braga, na qual publica nomes importantes da literatura brasileira e latino-americana. Deixa a editora em 1966, e funda a Editora Sabiá. Em 1973 funda a Bem-te-vi Filmes, com David Neves, por meio da qual produz uma série de curtas-metragens com escritores brasileiros. Realiza, na década de 1970, uma série de viagens ao exterior documentando eventos.

Publicou ‘O grande mentecapto’ em 1979, iniciado mais de trinta anos antes. A obra, que lhe rendeu o Prêmio Jabuti, e acabaria sendo adaptada para o cinema, com direção de Oswaldo Caldeira, em 1989, e também para o teatro. Publicou em 1982, ‘O menino no espelho’. Em 1985, ‘A faca de dois gumes’. E em 1989, ‘O tabuleiro de damas’, uma obra autobiográfica. Publicou com regularidade na década de 90. Em 1991, publica Zélia, uma paixão. Em 1996, foi publicada em três volumes sua Obra Reunida pela editora Nova Aguilar. Em julho de 1999, recebeu da Academia Brasileira de Letras o prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. Em 2001, publicou ‘Livro aberto’ e ‘Cartas perto do coração’. Em 2002, publicou ‘Cartas sobre a mesa’ e, em 2004, publicou ‘Os movimentos simulados’.

Fernando Sabino faleceu em sua casa em Ipanema (zona sul no Rio de Janeiro), no dia 11 de outubro de 2004, vítima de câncer no fígado, às vésperas do 81º aniversário. Foi sepultado no Rio, no Cemitério São João Batista. Seu epitáfio, escrito a seu pedido, é o seguinte: “Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino!”

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